quarta-feira, 19 de julho de 2017

Fotos Memória da Mineração Amapaense: A Ambulância rodoferroviária Chevrolet Amazona, da ICOMI

Em dezembro de 1959 a Chevrolet lançou o utilitário "Amazona" (grafado sem o "s", mesmo)destinado aos serviços da cidade e do campo. Foi uma adaptação da pick-up (carga) para veículo rural de passageiros.
Em conjunto com a pick-up Chevrolet Brasil, ambos tinham um motor de seis cilindros de linha, de 142 CV, com 3.100 cc, daí a nomenclatura da série de Chevrolet 3100.
A Chevrolet 3100, mais conhecida como Chevrolet Brasil, foi a primeira pick-up GM produzida no Brasil. Seu lançamento ocorreu em julho de 1958 e foi substituída em 1964 pela linha C-10.
O Chevrolet Amazona era um automóvel amplo, com oito lugares, com uma terceira porta lateral esquerda. Na traseira, a tampa era aberta totalmente. Em 1962 foi reestilizada, ganhando quatro faróis na nova grade dianteira. Com a suspensão de eixos rígidos e molas semielípticas. Câmbio de três velocidades com acionamento por uma alavanca na coluna da direção. Peso líquido do veículo: 1850 kg. Capacidade de 650 kg de carga útil. Foram produzidas 2626 amazona até 1963, quando foi substituída pela Chevrolet veraneio.
O veículo rodoferroviário da ICOMI, foi adaptado de uma amazona ano 1962 configurada e montada como uma ambulância. Mantinha a mecânica básica do Chevrolet Amazona 3100, com os adaptadores ferroviários sendo acionados hidraulicamente. A bitola original dos eixos da Chevrolet Amazona eram originais, adaptando naturalmente sobre a bitola dos trilhos. Quando os adaptadores das rodas ferroviárias ficavam abaixados, o movimento se dava pelo contato dos pneus traseiros com os trilhos, permitindo o deslocamento do veículo. Foi emplacada com a chapa de série NFB 1972 de Santana - AP. Esteve ativa até final dos anos 70. Atualmente está desativada mas mantém todas as suas características originais preservadas, inclusive a pintura refeita nas cores amarelo e vermelho da Icomi.
O estilo clássico dos automóveis americanos dos anos 60 presente na ambulância rodoferroviária Chevrolet Brasil Amazona C 3100, ano 1962; linhas arredondadas e volumosas feitas de grossas chapas estampadas. São linhas sóbrias e pesadas, acompanhando o estilo adotado para os veículos de carga da Chevrolet. Esse modelo tinha a proposta de ser um utilitário cidade e campo, com grandes espaços internos, resistência para suportar as rudes estradas brasileiras e um potente motor de 6 cilindros, à gasolina com 3.100 cc³, desenvolvendo apenas 142 CV a 2.800 rpm. De interior simples e despojado, com o painel em chapa metálica, e um pequeno painel de indicadores analógicos. Acabamento interno tosco, com forramento em courvin. 
Vista dianteira da ambulância rodoferroviária. 
A grade dianteira foi reestilizada com os quatro faróis e o farolete. Importante ressaltar que esse veículo não vinha montado com luzes de seta ou pisca-alerta. A carroceria é montada no chassi através de calços de borracha. Os para-choques são lâminas de aço aparafusadas nas extremidades da longarina do chassi. Por essa época o conceito de segurança era um veículo extremamente rígido e resistente à qualquer batida ou colisão. Nenhum veículo vinha de fábrica com cintos de segurança ( hoje um ítem obrigatório ) e todos os passageiros viajavam soltos. 
Lateral direita e traseira da ambulância (porta traseira abrindo em duas metades para os lados). 
Nessa configuração não há a terceira porta do lado direito para acesso ao banco traseiro (que fora suprimido para ser montada uma maca). A versão popular saía da linha de montagem com a porta traseira somente do lado direito. As lanternas traseiras eram pequenas e apenas com faroletes e luzes de freio. Os paralamas eram aparafusados no arcabouço central, com frisos metálicos laterais para enfeite. Nas portas dianteiras foi montado um estribo externo, que se abriam através de maçanetas metálicas salientes.
Lateral direita e porta do carona.
A carroceria foi modificada para a versão ambulância, com acesso apenas pela parte traseira. A janela traseira é única, em duas seções montadas em uma canaleta corrediça. Entre a cabine do motorista e o compartimento da ambulância havia uma divisória com uma área envidraçada. 
O longo capú do motor entre os dois paralamas dianteiros compondo a grade do motor. 
Na frente e atrás foram montados os dispositivos para permitir o deslocamento sobre os trilhos. Os pequenos rodeiros foram montados em braços articulados, presos nas extremidades do chassi. As articulações para abaixar e levantar os braços eram acionadas através de um sistema hidráulico bastante simples. Para o deslocamento sobre os trilhos, a ambulância simplesmente subia sobre os trilhos, alinhando as quatro rodas sobre eles. Interessante notar-se que a distância entre as rodas era a mesma bitola entre os trilhos, com isto, todas as rodas ficavam em contato permanente com o boleto do trilho. Logo a seguir eram abaixados os braços com os pequenos rodeiros metálicos sobre os trilhos. A finalidade dos rodeiros era apenas guiar o veículo sobre os trilhos e a tração era feita pelo próprio pneu traseiro da ambulância, que funcionava como um veículo normal, exceto pela direção que era dada pelos rodeiros. Essa ambulância foi intensamente usada na maioria dos casos de atendimento de urgência, à qualquer pessoa que morasse na Vila operária de Serra do Navio ou no entorno da ferrovia e que necessitasse urgentemente ser deslocada para Macapá. Ela tinha preferência de tráfego sobre qualquer tipo de trem. 
Lateral esquerda e porta do motorista. 
São compartimentos totalmente independentes onde ficavam separados os equipamentos de urgência médica.
Atualização: Segundo denúncia do amigo  Emanoel Jordânio, em seu blog Santana do Amapá, quem passa no cruzamento da Avenida Santana com a Rua Cláudio Lúcio Monteiro, onde funcionava a antiga mineradora Zamin Amapá, em Santana, pode ver o referido veículo coberto por matagal e apresentando sinais claros de manchas e deterioração física.(Em 06/08/2017)

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