quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Memória de Macapá: Tambores de Asfalto em Chamas

Por Nilson Montoril


“No início do ano de 1960, o governo territorial adquiriu um lote de tambores de piche destinado ao asfaltamento das principais vias públicas de Macapá. O capeamento de ruas e avenidas utilizaria o processo alto-selante, que, em 1963, a Indústria e Comércio de Minérios S.A. tinha realizado nas travessas da Vila Amazonas, Vila da Serra do Navio e do Escritório Central. O processo consistia em jogar o piche sobre a terra, cobrindo-o com areia. Isso exigia um bom tempo para que o piche absorvesse a areia e a mistura secasse.





O período invernoso não era propicio para um trabalho dessa natureza, por isso, os tambores foram colocados atrás da Fortaleza de São José, próximo ao baluarte de Nossa Senhora da Conceição.
O tempo passou, o mato cresceu em volta dos tambores e a estiagem presente a partir de setembro provocou o vazamento do material de fácil combustão. Na noite de 24 de setembro de 1960, um incêndio de graves proporções irrompeu no local. A sirene da Usina de Força e Luz, situada na Av. General Gurjão foi ligada e o povo ganhou as ruas. O fogo, certamente ateado no capinzal por algum sujeito de má índole atingiu o piche derramado no solo e se expandiu.
Os tambores fechados eram arremessados ao ar com sucessivas explosões. A situação só começou a ser controlada, quando o Corpo de Voluntários de Defesa de Incêndios, conhecido como CVDCI, pertencente à ICOMI chegou ao local do sinistro. 








A unidade de Santana utilizou um caminhão-bomba com capacidade para quatro mil litros d’água, extintores de carga especial e outros dispositivos inexistentes em Macapá. Os bombeiros voluntários da ICOMI integravam duas unidades, em Santana e Serra do Navio, cada uma delas com 42 homens, todos funcionários da empresa mineradora. Bem treinados e agindo com muita cautela, não demoraram a eliminar o fogo. 




Mereceu reconhecimento especial da ICOMI o funcionário Hilkias Alves de Araújo (foto menor em traje escoteiro), chapa 5499, que, usando roupa adequada subiu nos tambores ainda livres das chamas, para despejar água no interior deles. Sem os vedadores das tampas, e, consequentemente, sem gás represado, o piche não iria explodir. Em maior número, os demais membros da CVDCI faziam jorrar muita água sobre os tambores incandescentes.
A cidade de Macapá, que passou maus momentos com pavorosos incêndios, em 1960 ainda não tinha um grupamento de bombeiros regulamentado e aparelhado. Com muita limitação, a Guarda Territorial se virava para apagá-los.”





Artigo assinado pelo historiador Nilson Montoril, publicado - originalmente -  na íntegra na edição do dia 13/01/2017, do jornal Diário do Amapá.
Fonte: Diário do Amapá

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Os 94 anos da Pioneira DINETE FERREIRA BOTELHO

Foto: Acervo pessoal
Em 1924 - há exatos 94 anos - num domingo, 03 de fevereiro, em Belém-PA, nascia a filha de Manoel Edmundo Ferreira Botelho (agrimensor e matemático, Coronel da Guarda Nacional, terceiro intendente de Marapanim, desde 1916, por 15 anos) com Francisca Albertina Oeiras Botelho, que na pia batismal receberia o nome de Dinete Oeiras Botelho. A menina Dinete, veio ao mundo 19 anos, antes da criação do Território Federal do Amapá, onde moraria e viveria, por muitos anos, depois. É a mais nova de oito filhas e um filho: Diniz, Raimunda, Laura, Ilbertina, Ruth, Romana, Cristina, Dóris e Dinete (não necessariamente nessa ordem). Dinete viveu sua infância na pacata cidade de Marapanim, no interior do Estado do Pará. Foi criada e formada seguindo preceitos e valores de uma família ilustre e política.
Iniciou o curso primário em Marapanim e o secundário (atual segundo grau) em Belém, a mando do seu tio, o jornalista Paulo Maranhão, então proprietário do mais expressivo jornal de Belém: a “FOLHA DO NORTE”.  Estudou o secundário no Colégio Benjamin Constant, próximo à residência dela em Belém: Travessa Rui Barbosa esquina com a Rua Tiradentes. Do Colégio Benjamin Constant, Dinete foi para o Colégio Pedro II onde fez o curso de "normalista". 
Fez, também, enfermagem pela CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, Filial do Pará, e concluiu o Curso de Enfermeiras Samaritanas em 1941.
Sua ida para o então recém-criado Território Federal do Amapá, deu-se por incentivo da irmã, Cristina, que já se encontrava em Macapá desde 12 de maio de 1945, que antevia oportunidade de emprego para Dinete, o que aconteceu pouco tempo depois, a convite do primeiro governador do Amapá o Capitão Janary Gentil Nunes, que era vizinho da família em Belém. 
Logo que chegou à Macapá, em 1946, já por conta do governo, Dinete se hospedou na casa das Professoras, onde já morava a professora Cristina. Não quis ficar na casa das Enfermeiras. Dinete foi inicialmente admitida na função de enfermeira diarista no HGM (Hospital Geral de Macapá) entre 01-01-45 a 21-12-51 e só depois, passou a atuar como professora.
Na capital amapaense casou-se com o professor Diniz Henrique Ferreira Botelho (in memoriam), em 20 de dezembro de 1947, quando passou a chamar-se Dinete Ferreira Botelho. Dessa união duradoura nasceram os filhos Manoel Edmundo (Arquiteto, AP), Francisca Denize (Profª. da UFPa), Sandra Regina (Profª  da UFPa), Diniz Filho (Desenhista, criador do logotipo da extinta Teleamapá e dos primeiros projetos de bandeira e escudo do Amapá) e Mário Rubens (Médico, SP). 
O professor Diniz, também já estava em Macapá quando Dinete chegou; já namoravam desde Belém e eram primos.
Dinete ingressou, inicialmente, na Escola Normal de Macapá, no cargo de Professora de Ofícios, onde ficou até 01 de abril de 1980. Na Escola Normal - que se transformou no Instituto de Educação do Amapá, em 1964 - a Profª. Dinete fez o curso de Educação para o Lar, entre outros. 
Teve atuação destacada na ExpoMEC (Exposição Nacional de Educação e Cultura, montada na Praça Veiga Cabral, em 1974, ao lado de muitas outras pioneiras do magistério amapaense. Em Macapá, fez inúmeros outros cursos, na antiga Escola Doméstica de Macapá (hoje Irmã Santina Rioli) entre eles o de Corte e Costura, de 1953 a 1954; de Trabalhos Manuais entre 01 a 21-jun-61, bordados com linhas. 
Em 1963 entre 10 professoras, foi a primeira a ser designada ao SESI, seleção feita no Rio de Janeiro. O Governador Janary Nunes a cedeu ao SESI pela exercer atividades pela parte da manhã, admitida pela instituição como Orientadora em Atividades Sociais, sendo incluída no Quadro Único de Servidores da Delegacia Regional de Macapá - AP a partir de 01.04.63.  No SESI, fez outros cursos de capacitação: Noções de Nutrição, bolos, confeitaria, cozinha e tecidos, em 1967 e Relações Humanas na Família, em 1968. Concluiu o Curso de Artesanato para o Lar VIGORELLI em 1977, na cidade de S. Paulo. Sua aposentadoria aconteceu em agosto de 1981, no cargo de Professora de 1º e 2º graus, do Quadro Permanente do ex-Território Federal do Amapá.
Foto: Diniz Filho
A Pioneira DINETE FERREIRA BOTELHO residiu em Macapá à Av. Mendonça Furtado, 313, Centro, e ao se aposentar foi para Belém do Pará, onde mora com a filha Denize. 
Lúcida, e com uma memória privilegiada, professora Dinete completa neste sábado, 03 de fevereiro, 94 anos bem vividos, embora, esteja com a visão limitada e sérios problemas de locomoção.
Desejamos à querida mestra muitos anos de vida e felicidades ao lado dos que lhe são caros. Grande abraço!
Texto e Informações de Diniz Botelho (um dos filhos da biografada), adaptado para o  blog.
(Última atualização às 11h50)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

MORRE em Macapá, aos 90 anos, o Pioneiro EULÁLIO SOARES NERY

Faleceu na tarde desta terça-feira, 16, em Macapá o pioneiro Eulálio Soares Nery. Seu corpo foi sepultado na manhã desta quarta-feira, 17, no Cemitério N. S. da Conceição, no Centro. Que sua alma tenha o descanso eterno!
Quem passou pelo Colégio Amapense nos anos 60, deve se lembrar muito bem desse simpático senhor que, na época, trabalhava como Inspetor de alunos no “colossso cinzento”.
Eulálio Soares Nery nasceu na localidade de Carmo do Macacoari, município de Itaubal, Estado do Amapá, em 12 de fevereiro de 1928. Agora em 2018 faria 90 anos.
Eulálio Nery era filho de Anísio Nery da Silva e Sarah da Soledade Soares Nery. Estudou o primeiro grau.
Iniciou sua carreira profissional em 1944, aos 16 anos no governo de Janary Gentil Nunes, recém-empossado como 1º governador do então Território do Amapá, no SESP – Serviço Especial de Saúde Pública, na função de Guarda-mosquito, instituição essa, depois denominada em 1956, de DNERU – Departamento Nacional de Endemias Rurais, atualmente FNS.
Em maio de 1947, foi designado a trabalhar no Ginásio Amapaense, atual Colégio Amapaense, na função de inspetor de turmas.
Participou da vida social do Esporte Clube Macapá e do Atlético Latitude Zero.
Ingressou na maçonaria no dia 13 de julho de 1952.
Em 1º de maio de 1956, no governo de Janary Nunes, foi nomeado funcionário no palácio do governo; seu chefe era Raimundo Araújo Filho, (Raimundinho).
Casou-se em 1957 com a enfermeira Odemira Alberto Nery(in memoriam), de cuja união nasceram os filhos: Augusto Cesar, Pedro Paulo, Benedito Alísio, Sara Heloísa e Maria de Fátima.
Retirou-se da vida pública em 1982, com relevantes serviços prestados ao Amapá.
No dia 12 de setembro de 2015 Eulálio Nery tomou posse na Academia dos Notáveis Edificadores do Amapá. Ocupava a cadeira 02 que tem como patrono o professor Mário Quirino da Silva.
EULÁLIO SOARES NERY, por esses feitos, foi justamente homenageado como um notável edificador do Amapá.
Fonte: Arquivo do blog e Memorial Amapá
Saiba mais:
O professor e historiador Nilson Montoril de Araújo, conta detalhes sobre o trabalho do pioneiro Eulálio Oliveira Nery:
“Surgido a 25 de janeiro de 1947, o Ginásio Amapaense iniciou suas atividades nas dependências do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, no período noturno. O Governador Janary Nunes designou o Professor Carlos Alberto Salinac de Souza para dirigi-lo, deixando a seu critério a escolha do pessoal de apoio indispensável. Salinac optou pelo Professor Diniz Henrique Botelho para a função de secretário. Por seu turno, Diniz Botelho escolheu o macapaense Eulálio Oliveira Nery para atuar como auxiliar de disciplina e bedel. No decorrer de 36 anos, o Eulálio realizou um meritório trabalho, digno de todos os elogios possíveis. Até 1953, ele foi o único auxiliar da direção. A partir desta data ganhou a parceria do Edgar Lino da Silva, o Idê. A dupla fez muito sucesso. Os dois eram apaziguadores e só apresentava, alunos encrenqueiros á direção quando a rebeldia era demais. Carlos Salinac foi o responsável pelos contatos iniciais com as autoridades do Ministério da Educação, cuidando da estruturação, escrituração e implantação do ginásio. Diniz Botelho dispensa comentários, Era experiente, organizado e eficiente. Eulálio Nery ingressou na Maçonaria no dia 13 de julho de 1952, como obreiro da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Duque de Caxias. Sempre foi fraternal, mas essa virtude aflorou de vez ao tornar-se "Filho da Viúva”. Tratava a todos como irmão, atitude que deve ser comum aos maçons. Foi aposentado em 1983, depois de trabalhar 36 anos no Ginásio/Colégio Amapaense. Seu nome ficou eternizado numa parodia que os alunos João Moreira(João Babão) e Nolasco Dias fizeram, para ser cantada na melodia da marchinha carnavalesca "Vai Com Jeito".
Vai, com jeito vai.
Senão um dia bis
O Ginásio Cai, Eulálio.
Nogueira e Apolinário,
São dois pretinhos, muito ordinários,
Se um é preto, o outro é cuamba,
Se um faz feitiço, o outro faz muamba, Eulálio.
O próprio Eulálio me confidenciou o nome dos autores da paródia. Também falou que os professores mencionados nunca se aborreceram com a brincadeira. Só faziam dizer aos autores: estudem. Eulálio nasceu a 12 de fevereiro de 1928.Foi casado com Odemira Alberto Nery, que partiu para a eternidade antes dele. O casal teve cinco filhos. Que o Grande Arquiteto do Universo o receba com invulgar fraternidade.” 
(Texto de Nilson Montoril, publicado em sua página no Facebook)

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Foto Memória de Macapá: Aniversário de Matrimônio dos amigos Urivino e Cléia Ribeiro

Nossas Fotos Memória de hoje, vêm do álbum de lembranças dos amigos Urivino (Cléia) Bandeira Ribeiro. 
Há exatos 48 anos era realizado o enlace matrimonial dos nubentes Urivino e Cléia Ribeiro, celebrado pelo Padre Vitório Galliani, dia 29 de dezembro de 1969, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Vila Amazonas – Santana/AP.
- Urivino – nosso contemporâneo – é natural de Macapá/Ap, onde nasceu em 16 de março de 1948, filho do pioneiro João Barbosa Ribeiro e Dona Maria da Silva Ribeiro (ambos falecidos). Estudou em Macapá; fomos escoteiros da Tropa Veiga Cabral, na mesma época. Uma das atividades do Urivino foi na Empresa Mineradora ICOMI, em Santana/AP.
- Dona Cléia – com quem trabalhamos na Prefeitura de Macapá – nasceu em 29/01/49, na cidade de Itapipoca, Ceará, filha de João Evangelista Teixeira e Maria Rodrigues Teixeira (falecidos). Chegou em Macapá, com seus pais, no ano de 1953 com 4 anos de idade. Iniciou os estudos na Escola de Vila Amazônia e os concluiu em Macapá, no Colégio Amapaense.
(Foto - Reprodução / Facebook )
Ao fazermos esse registro, queremos prestar nossa homenagem ao simpático casal amigo - com quem temos estreitos laços de amizade duradoura - enviando votos de uma existência perene, com as bênçãos de Deus e felicidades mil!
- Grande Abraço!!!
(Joâo Lázaro)

domingo, 24 de dezembro de 2017

Foto Memória de Macapá: Time do Milan (Prelazia de Macapá)

Encontrei essa relíquia no Baú de Lembranças do amigo João Silva - compartilhada por ele no Facebook -  e estou trazendo para os leitores do blog, como a Foto Memória de hoje.
É um registro raro do comecinho da década de sessenta, no campinho do Largo da Matriz, do time do Milan, uma das tantas equipes que disputavam certames organizados anualmente pelos padres italianos ligados à Prelazia de Macapá.
Vamos a escalação, da esquerda para a direita, em pé: Lourenço Tavares (técnico), Beto, Olivar Bezerra, Zamba, Álvaro (Mascarado), João Leite, Marcos (Didi) e o Pe. Ângelo Biraghi; 
Agachados: Quarentinha, Palitinho, Vovô, Bianor Cascaes, Reginaldo Salazar e Pennafort (Macaco).
Fonte: Facebook

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Foto Memória de Macapá: Um recital com a professora Altair Machado de Almeida e o violinista Hernani Victor Guedes

Na Foto Memória, de hoje - dos arquivos do casal Derossy & Lúcia Araújo - temos o registro de um recital com a professora Altair Machado de Almeida, ao piano, e o renomado violinista Hernani Victor Guedes, que aconteceu na década dos anos 1950, no Cine Teatro Territorial, em Macapá.
Professora Altair Machado de Almeida, foi uma consagrada pianista amazonense, com passagens marcantes pelos teatros da Amazônia e professora no Conservatório Amapaense de Música, por 25 anos, lamentavelmente já falecida. Era esposa do coronel Luiz Ribeiro de Almeida, que completou 100 anos dia 8 de dezembro, passado.
Ernani Vitor Guedes, hoje com 93 anos de idade, a maior parte deles, dedicados ao Amapá. O renomado músico, de muitos méritos, é natural de Cametá - Pará, farmacêutico de profissão e continua morando com a família em Macapá.
Hernani chegou ao Amapá em 1950, aos 26 anos, para trabalhar no Hospital Geral de Macapá, carregando consigo seu inseparável violino. Nas horas de folga, ajudava seu pai - o farmaceutico Bruno - na Farmácia Macapá, localizada na rua São José, entre as avenidas Presidente Vargas e Coriolano Jucá.
Por volta de 1963, formou o grupo “Os Mocambos”. Em 1968 o grupo gravou um LP com 6 músicas autorais e 6 marabaixos.
Atualmente, Hernani Victor, é integrante como primeiro violino da Orquestra Primavera e realiza apresentações em shows institucionais e particulares.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Foto Memória de Macapá: Dois craques do passado: Antônio Trevizani (Santana Esporte Clube) e Zico (Flamengo)

Nossa Foto Memória foi compartilhada pelo Santana Esporte Clube.
Um raro registro fotográfico de 1976 de dois craques da época: Antônio Trevizani, do Santana Esporte Clube, do Amapá, e Zico, do Flamengo, no monumento do Marco Zero do Equador, em Macapá.
Fonte: Facebook

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Coronel Luiz Ribeiro de Almeida: Um Século de Vida

Há exatamente 100 anos nascia num sábado, 8 de dezembro de 1917, em Belém do Pará, LUIZ RIBEIRO DE ALMEIDA, filho de Luiz Pampolha de Almeida e Maria de Lourdes Ribeiro de Almeida. Fez o primário no Grupo Escolar Wenceslau Brás e o secundário no Ginásio Paes de Carvalho. Em 1935 ingressou na Faculdade Livre de Direito do Pará, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela turma de 1939, da qual foi orador oficial, com o discurso tese "O Direito e a Unidade dos Povos do Mundo". Simultaneamente, recebeu a espada de aspirante-a-oficial da reserva do Exército Nacional, pelo então CPOR/8ª Região Militar. Ocupou o cargo de Secretário Seccional do Recenseamento, região do Xingu, no período de 1940/41; foi designado Comissário Especial da Ordem Política e Social da Secretaria de Segurança Pública do Pará; coordenou junto ao governo do Estado e ao comando da 8ª RM o policiamento da costa da ilha de Marajó, visando a proteção da área contra a espionagem e sabotagem pelos estrangeiros. Em 1943, após o estágio regulamentar no 26 BC, foi convocado para a guerra, indo prestar serviços na 1ª Companhia de Metralhadoras Antiaéreas, sediada em Val-de-Cans. Comandando o 4° Núcleo e Oficial Instrutor; traduziu e adaptou manuais e regulamentos norte-americanos sobre Metralhadoras Browning calibre 30 e 50; reconhecimento de aviões. Já servindo no 27° BC, submeteu-se às provas de seleção para o curso de paraquedismo, aprovado, mas não efetivado em virtude do término da guerra. Na qualidade de Comandante da Companhia de Fronteiras, procedeu seu deslocamento de Belém para o Território do Amapá, instalando-a na "Rasa", Município de Amapá, em 1949. Como Subcomandante e Fiscal Administrativo, promoveu a extinção da 4ª Cia. de Fronteira e da 1ª Cia. de Metralhadoras Antiaéreas. Participou da intervenção do Estado de Alagoas no ano de 1950, por requisição do Poder Judiciário, cabendo-lhe a cobertura do Município de Anadia. Na área desportiva do Exército, destacou-se como campeão penta atleta no Norte por 3 anos; campeão olímpico de remo (patrão); participando das modalidades de atletismo, voleibol e basquetebol, foi considerado pelo comando como "oficial de excepcionais qualidades de atleta da região". 
Foi colocado à disposição do governo do Território Federal do Amapá no ano de 1953, aceitando o convite do Governador Janary Gentil Nunes, assumindo o cargo de Diretor da Divisão de Segurança e Guarda e Comandante da Guarda Territorial, permanecendo até 1960, sendo eleito em seguida, presidente da Companhia de Eletricidade do Amapá - CEA quando, então, se iniciavam as obras da Hidrelétrica Coaracy Nunes, na cachoeira do Paredão. Deu o parecer técnico jurídico no contrato de empreitada com a TECHINT, aprovado pelas partes. Retomou ao Exército passando a servir no Quartel-General da 8ª RM, no posto de Capitão. Enquanto serviu ao Exército, exerceu com destaque as mais variadas funções compatíveis com suas patentes, até a de Ajudante Geral da 8ª Região Militar (eventual), tendo em seu poder cerca de 35 elogios. Ao passar para a reserva no posto de Ten-cel, teve ligeiras, porém agitadas e produtivas passagens no Amapá; 
Assessor Jurídico do governo Terêncio Furtado de Mendonça Porto, quando emitiu parecer sobre a reformulação do célebre contrato do manganês, reforçando suas bases essenciais de manutenção dos 20% de aplicação do seu lucro líquido e 10% de royalties para as obras do "Paredão"; Diretor Administrativo da CEA, quando teve participação ativa e efetiva nas gestões para elaboração e assinatura do contrato de aquisição dos equipamentos eletromecânicos de duas unidades geradoras, junto à empresa Marubemi-Ida de Tóquio, oriunda do Japão. No período de 1964 e 1970, transferiu-se para Belém, se dedicando à área de Direito e ao Magistério, ministrando sob a Cátedra do Dr. Daniel Coelho de Souza, a disciplina "Introdução à Ciência do Direito", sendo homenageado pela turma de Bacharéis de 1969. Em 1970 retomou ao Amapá, assumindo o cargo de Secretário Executivo da Superintendência das obras do Paredão, contratado pela Eletrobrás. Com o afastamento do Cel-Engº  Nélio Dacier Lobato, Superintendente das obras, Luiz Ribeiro afastou-se da empresa. Convidado pelo Prefeito Municipal de Macapá, comandante João de Oliveira Côrtes, assumiu a chefia do gabinete, passando também a ministrar aulas de "Sociologia Educacional" no IETA e "Organização Política e Social" pelo CADES; instalou o MOBRAL, assumindo a presidência da comissão municipal de Macapá e em seguida assumiu a Coordenação Territorial, cargo que exerceu por 17 anos, conseguindo colocar o Amapá em destaque nacional: melhor Índice da alfabetização entre todas as Unidades Federativas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com exceção de Brasília. No governo do General Ivanhoé Gonçalves Martins foi reconduzido à Diretoria Administrativa da CEA onde permaneceu cerca de um ano e meio. Exerceu, por delegação do Ministro do Interior e Justiça o cargo de Presidente do Conselho Territorial. 
Em 1975 foi nomeado Secretário de Educação, Cultura e Desporto pelo Governador Arthur de Azevedo Henning. Como rotariano recebeu a missão de reorganizá-lo, do qual foi Secretário e Presidente, tendo sido indicado governador do Distrito Rotário 449 por duas vezes. Fundou e instalou, juntamente com os tenentes José Alves Pessoa e Uadih Charone o Clube Militar de Macapá com sede na Fortaleza de São José de Macapá; reimplantou a APAE, proporcionando-lhe a instalação e operação; fundou a Casa do Lobinho Antônio Sérgio, regularizando o seu funcionamento e, mais tarde, foi um dos Diretores. Foi atleta de voleibol, basquetebol, Diretor de esportes do Amapá Clube no período de 1953/56; instalou o Tribunal de Justiça Esportiva na gestão do Presidente da Federação Amapaense de Desportos Uadih Charone; funcionou como Secretário Executivo no memorável "Congresso das Federações do Norte", sob a coordenação de Pauxy Gentil Nunes; presidiu a Federação de Desportos Aquáticos, quando o Amapá sagrou-se vice-campeão juvenil brasileiro; presidiu por vários períodos o Conselho Regional de Desportos, quando instalou novas federações (atletismo, ciclismo e box), instalou as Ligas Esportivas Municipais de Amapá, Calçoene, Oiapoque e Mazagão; foi representante da "A Gazeta Esportiva" do Estado de São Paulo por 8 anos, conseguindo enviar vários corredores para a "Corrida de São Silvestre". Casou-se com D. Altair Machado de Almeida, consagrada pianista amazonense, com passagens marcantes pelos teatros da Amazônia e professora no Conservatório de Música do Amapá por 25 anos, lamentavelmente já falecida, e que lhe deu os filhos Vânia Maria, Luiz Filho, Maria Luiza, Marco Aurélio, Tereza Cristina, José Ronaldo e a filha de criação Maria Luiza Lacerda. Na área de Ciências e Letras possui ainda o curso de "Metodologia do Ensino Superior"; foi professor de "Estudo de Problemas Brasileiros" do Núcleo Universitário do Amapá" e do "Esquema Um" da Secretaria de Educação, sob o patrocínio da Universidade Rural do Rio de Janeiro; Curso de Administração e Técnica de Educação de Adultos; participou dos Seminários de "Desenvolvimento Organizacional - Processo DO", do "Latino-Americano de Alfabetização de Adultos" e de "Introdução ao Jornalismo". Exerceu o cargo de Secretário do "Conselho de Proteção ao Meio Ambiente - CONTERPRAM" e de Representante da SOPREM, por vários anos. Entre os muitos trabalhos elaborados se destacam: "Relatório Socioeconômico Estratégico-Militar da ilha de Marajó"; "Direito Internacional a Boca do Canhão"; "Emancipação política do Brasil" - conferência proferida na Loja Maçônica Duque de Caxias; "Parecer Técnico-Jurídico sobre o contrato do manganês"; 
"A implantação do Mobral no Amapá"; "MOBRAL - a árvore de mil raízes e milhões de frutos"; "Alfabetização e Desenvolvimento"; "Estratégia 78/80 - linhas gerais de ação para erradicação do analfabetismo no Amapá"; "O Espectro do Analfabetismo no Brasil". Luiz Ribeiro tem em seu poder títulos e condecorações: Medalha de Guerra concedida pelo Exército; Medalha Olímpica concedida pelo Departamento de Desportos do Exército; Medalha e Diploma de Serviço Amazônico, com passadeira de ouro concedida pelo Ministério do Exército; Diplomas de Honra ao Mérito concedidos pelo Mobral; pelo Grêmio Rui Barbosa; Legionário concedido pela LBA; Personalidade do Esporte ano 1974; administrador do ano 1974; exerceu também o cargo de Presidente do Conselho de Escotismo e Regional de Conselho Nacional do Escotismo, no Brasil; de Escotismo e Membro do Instituto Histórico do Amapá, ocupando a cadeira de Janary Gentil Nunes; membro do Conselho Consultivo da Câmara Internacional do Comércio do Amapá. Em 1989, por ocasião da comemoração do "cinquentenário" de formatura dos bacharéis de 1939, da Faculdade Livre de Direito do Pará, Ribeiro foi seu interprete através da oração: "Um reencontro de Homens Livres". 
Como Secretário de Educação, na gestão Gilton Garcia, 1989/90, coordenou e promoveu junto ao Ministério de Educação e Governo do Amapá, todas as gestões para a instalação definitiva da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP, da qual foi, durante sua primeira fase, um dos membros do Conselho Universitário; participou com a equipe de educadores da UNESPA e do Amapá, sob a coordenação do professor Edson Franco, das gestões básicas para a futura instalação do Centro de Estudos Superiores do Amapá - CEAP e ministrou a aula inaugural na abertura dos Cursos de Direito e Ciências Contábeis. Hoje agraciado com o título de "Comendador da Ordem do Mérito Advocatício no grau ouro" concedido pela OAB - secção do Pará. 
Reprodução - Do grupo Memorial Amapá
Coronel Luiz Ribeiro de Almeida, que hoje completa um século de existência, ainda lúcido, reside atualmente com a família na capital paraense. É um dos “Personagens Ilustres do Amapá”.
Fonte: Do livro Personagens Ilustres do Amapá Volume II - de Coaracy Sobreira Barbosa - Imprensa Oficial – agosto de 1968 – Macapá-AP
(Última atualização às 14h15min)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Memória do Rádio Amapaense: Johnny Hallyday: ele passou pelo Amapá

Por José Machado (*)
Morreu ontem o cantor e ator francês Johnny Hallyday. O artista há muito estava com a saúde fragilizada. Em 2009, passou por uma cirurgia de hérnia de disco em Los Angeles tendo sido hospitalizado. Três anos depois, sofreu um infarto do miocárdio, na ilha caribenha de Guadalupe.
Reprodução
Johnny Hallyday, cujo verdadeiro nome é Jean-Philippe Smet, com 74 anos de idade, à época, chegou a anunciar o encerramento de sua carreira artística, através de seu site oficial. Ainda assim, continuou realizando shows, pois segundo o próprio, cantar, era uma das coisas gostava de fazer.
O sucesso que teve até ontem quando nos deixou, ao som das suas belíssimas canções não só em discos, mas na vida que nos resta, continuará embalando nossos sonhos. Ao comentar sobre sua vida fecunda, nos remete a uma manhã do ano de 1965 quando tínhamos iniciado em rádio.
O João Lázaro (Janjão), chegou eufórico na Difusora, com um exemplar do CORREIO DA MANHÃ, que trazia uma valiosa informação – um grande furo jornalístico: 
Paris Match - Reprodução
O cantor francês JOHNNY HALLIDAY, comparado pelos europeus com Elvis Presley, acompanhado da esposa a cantora  SYLVIE VARTAN (divorciados há 30 anos) e seu conjunto, famosíssimos mundialmente como grandes ídolos  do yé-yé, fariam na tarde daquele dia, uma escala no aeroporto de Macapá, para reabastecimento da aeronave, que seguiria para as Guianas para um grande show.
Iniciamos toda a logística para entrevistá-los. Autorização do comando da COMARA -Companhia Administradora de Aeroportos -subsidiária da Aeronáutica (não existia a Infraero), para acesso à pista -  localização do francês há muito radicado em Macapá Paul Leraut, que serviria como intérprete.
Na medida que as horas avançavam, aumentava nossa ansiedade e angústia, pois apesar dos esforços não havíamos localizado o velho gaulês, que normalmente cruzávamos com ele pedalando pelas ruas da cidade.
Aproximadamente as 15h, com alguns minutos de atraso, a pequena aeronave começou a taxiar na pista até a pequena estação de passageiros, onde eu e o Lázaro, assistíamos ao desembarque dos passageiros vips, que aguardariam o reabastecimento do avião. Fizemos Flashs noticiosos para a emissora ainda assim, ficamos com a sensação de dívida com o ouvinte, por não havermos feito a entrevista.
Anos mais tarde comentando o episódio, ficou uma certa frustração de não havermos documentado o evento. À época, ambos adolescentes, não tínhamos naquela altura, a noção exata da dimensão do fato, senão teríamos feito várias fotos com os grandes ídolos, que estariam aqui ilustrando a matéria.
O lado bom dessa história, é que Macapá foi a primeira cidade brasileira visitada pelo   grande roqueiro francês. Ainda que a visita tenha sido somente ao aeroporto.
Confira alguns números impressionantes da carreira desse grande astro: 80 milhões de discos vendidos; 900 músicas, 150 excursões, 18 discos de platina, 25 discos de ouro e 17 milhões de espectadores em seus shows.
(*) jornalista e radialista amapaense
Esse foi um de seus sucessos: 

Fonte: Le site de Toutes vos stars et célébrités (Estrelas e Celebridades ).

domingo, 3 de dezembro de 2017

Memória da Cidade: Por que “Pedra do Guindaste”?

A tão falada Pedra do Guindaste, era apenas uma pedra, com a mesma matéria encontrada nas falésias do platô da Fortaleza de Macapá. 
Foto do Trapiche de Macapá com a Pedra do Guindaste, 
antes da homenagem a São José, do acervo do memorialista Gil Reis, 
publicada por Walter Jr. do Carmo, extraída do site Pinterest.com
Ela ornou a praia de Macapá até setembro de 1973. Desde 1970 existiu sobre ela uma imagem de São José, esposa de Maria e pai putativo de Jesus Cristo.
A importante escultura foi feita pelo luso-brasileiro Antônio Pereira da Costa, (foto menor) natural da Freguesia de Valadares, Conselho Vila Nova de Gaia, Distrito do Porto, em Portugal. Na comunidade de Valadares as atividades principais concentravam-se na agricultura e na produção de cerâmicas. Antônio Pereira da Costa e seu pai eram ceramistas e escultores de inegáveis méritos, com importantes obras realizadas no Rio de Janeiro, em São Luiz do Maranhão, Belém do Pará e em Macapá.
Na então capital do ex-Território Federal do Amapá, Seu Antônio Costa instalou sua oficina de trabalho no quintal da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Duque de Caxias tendo recebido especial autorização de seus irmãos, que sempre o distinguiram como um invulgar “obreiro da paz”. Muitas das suas obras ainda são vistas e admiradas nas cidades de Macapá e Amapá: Grupo Escolar Barão do Rio Branco, Hospital Geral de Macapá, Maternidade Mãe Luzia, Fórum de Macapá, que hoje abriga a Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, os Leões assentados na frente do citado prédio, a Estátua de Francisco Xavier da Veiga Cabral, em Amapá, o Busto de Tiradentes, o busto do Deputado Federal Coaracy Nunes, na Praça do Aeroporto Internacional Alberto Alcolumbre, o Tempo da Loja Duque de Caxias e a Imagem de São José que ainda permanece sobre um pilar de concreto ereto sobre as pedras menores da antiga formação rochosa derrubada pelo navio Antônio Assmar, em setembro de 1973. Outro leão esculpido pelo Senhor Antônio Pereira da Costa foi encomendado pelo comerciante Hermano Jucá Araújo, tio paterno de Nilson Montoril e torcedor apaixonado do Clube do Remo. Pintada de azul, a escultura foi mandada para Belém e instalada no Estádio Evandro Almeida.
Em setembro de 1931, estando exercendo suas atividades na Promotoria Pública do Pará, o Dr. Otávio Meira foi designado para vistoriar todos os cartórios, juizados e prefeituras de Belém até Mazaganópolis, sede do município de Mazagão. Os municípios de Macapá e Mazaganópolis estavam sob jurisdição do Estado do Pará. É bem pitoresca sua narrativa sobre desembarque e embarque de cargas e passageiros em Macapá, pois ainda não havia sido construído o trapiche da cidade. Segundo o Dr. Otávio Meira, na maré alta, os barcos com menor calado podiam entrar no Igarapé do Igapó ou Bacaba, mas o mesmo não acontecia com os navios, que fundeavam e ficavam ao sabor das ondas. Tornava-se mais prático aguardar a maré baixa, que deixava inteiramente à mostra a Pedra do Guindaste. Em algumas oportunidades, quando a maré estava alta e as águas calmas, usava-se uma embarcação tipo barcaça para receber as cargas dos navios. Neste caso, elas permaneciam fundeadas próximo à pedra, sobre a qual, uma engenhoca tipo bate-estacas, equipada com moitão/roldana e corda fazia o papel de um guindaste, daí o nome atribuído à formação rochosa. Para vencer o estirão da praia era usado um carro puxado por dois bois. Foi graças aos termos do seu relatório, que o Interventor Federal Magalhães Barata liberou verbas para a construção do primeiro trapiche de Macapá.
O Intendente Municipal era o Major Eliezer Levy e a obra teve início em 1932. Tiveram início em 1969, as entabulações para a concepção de uma imagem de São José, padroeiro de Macapá e seu assentamento na Pedra do Guindaste. Sem alardes, as partes interessadas, envolvendo Dom José Maritano, Bispo Prelado de Macapá e o Governador do Amapá, General Ivanhoé Gonçalves Martins, tomaram todas as providências cabíveis. Ninguém contestou o fato de a imagem não carregar o Menino Jesus nos braços e ficar de frente para o rio mais caudaloso do globo terrestre. Devidamente iluminado, a imagem de São José não recebeu a missão de proteger a cidade. Como um importante símbolo do catolicismo ali ficou incólume. Porém, na noite de 23 de setembro de 1973, o navio Domingos Assmar, que fazia linha fluvial entre Macapá/Belém/Macapá foi arremessado contra a pedra, quebrando-a e lançando nas águas agitadas do Amazonas a apreciável escultura do santo padroeira da cidade.
O cidadão Antônio Assmar, proprietário da embarcação assumiu os ônus pelo restauro da imagem e a construção de uma pilastra de concreto, para substituir a Pedra do Guindaste. Novamente entrou em ação o luso-brasileiro Antônio Pereira da Costa, recuperando sua obra de arte. 
Imagem meramente ilustrativa
Para erigir a pilastra foi contratada a firma Platon Engenharia e Comércio, então capitaneada por Clarck Charles Platon. Tudo voltou a ficar como antigamente, até o momento em que, apareceram os difusores de uma nova ideia, imediatamente refugada pela comunidade macapaense que preza suas tradições. Pretendiam os arautos do turismo trocar a atual imagem por outra bem maior. Também seria removida a pilastra pioneira por outra de maior diâmetro, da qual partiria uma passarela ligando-a ao trapiche Eliezer Levy.
A nova imagem deveria conter o Menino Jesus nos braços e ficar de frente para a cidade. Estas propostas não foram o ponto que fez despertar o descontentamento popular. Inaceitável foi ignorar o valor histórico da obra concebida pelo escultor e arquiteto Antônio Pereira da Costa, apenas porque ela não tem tamanho exorbitante. Outro erro cometido pelos idealistas malfadados foi dizer que a imagem atual iria ser colocada na frente da Fortaleza de São José. Ora, a frente do monumento bélico corresponde a sua área de proteção patrimonial, onde a escultura seria um “corpo estranho, que não faz parte do projeto de autoria de Henrique Galúcio. Felizmente, as novidades não encontraram guarida no seio da comunidade macapaense. Até praticantes de outros credos não as aprovaram. Ocorre, que a imagem de “São José da Beira Rio” precisa ser protegida e colocada longe de gente fantasiosa. Um pedido formal de tombamento da imagem será dirigido ao IPHAN. (Nilson Montoril)
Fonte: Texto de Nilson Montoril, adaptado para o blog Porta-Retrato, publicado na íntegra e originalmente, em duas edições no Jornal Diário do Amapá, datadas de 25 de novembro e 2 de dezembro de 2017, respectivamente. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Foto Memória da Justiça do Amapá: Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, em Macapá -" Crime do Parafuso"

Nossa Foto Memória de hoje é compartilhada pelo amigo Haroldo Pinto Pereira.
É um registro raro de uma seção do Tribunal do Júri, que aconteceu nos anos 70, em Macapá, para julgamento de um homicídio bárbaro, que chocou a cidade e ficou conhecido pelo "Crime do Parafuso".
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Esse crime ocorreu, entre os anos 73/75, nos arredores da Fortaleza de São José de Macapá, numa área atrás do antigo Frigorífico Municipal (desativado), onde existiam alguns botecos com venda de bebidas alcoólicas. (veja foto acima)
A vítima foi encontrada de bruços, com um parafuso (na verdade um cravo) introduzido em seu ânus, fato que causou grande impacto na sociedade amapaense.
Primeiro vamos entender o que é um Tribunal do Júri?
Segundo as Normas Jurídicas “o Tribunal do Júri, instituído no Brasil desde 1822 e previsto na Constituição Federal, é responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. Neste tipo de tribunal, cabe a um colegiado de populares – os jurados sorteados para compor o conselho de sentença – declarar se o crime em questão aconteceu e se o réu é culpado ou inocente. Dessa forma, o magistrado decide conforme a vontade popular, lê a sentença e fixa a pena, em caso de condenação.
São sorteados, a cada processo, 25 cidadãos que devem comparecer ao julgamento. Destes, apenas sete são sorteados para compor o conselho de sentença que irá definir a responsabilidade do acusado pelo crime. Ao final do julgamento, o colegiado popular deve responder aos chamados quesitos, que são as perguntas feitas pelo presidente do júri sobre o fato criminoso em si e as demais circunstâncias que o envolvem”. (Agência CNJ de Notícias)
No julgamento de Macapá, dos sete membros sorteados para compor o conselho de sentença, apenas seis aparecem nas imagens do registro fotográfico. O sétimo encontra-se oculto. O local foi no antigo "Fórum dos Leões", atual sede da OAB/AP.
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A partir da esquerda: Dr. Rugato Boettger (empresário); senhores Mário Miranda (industriário); Haroldo Pinto Pereira (empresário); Mário Santos (industriário); Lindoval Peres (engenheiro) e Walter da Silva Nery (funcionário público).

sábado, 18 de novembro de 2017

Fotos Memória da Educação do Amapá: Turma 314 do Curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade Federal do Pará, (Núcleo de Educação, em Macapá)

Nossas Fotos Memória de hoje, apresentam dois momentos da turma 314 do Curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade Federal do Pará, (Núcleo de Educação, em Macapá)
“Desde 1970 funcionou o "Núcleo de Educação em Macapá" (NEM), ligado à Universidade Federal do Pará - UFPA). No NEM passaram a ser oferecidas cerca de 500 vagas de licenciatura de curta duração no campo do Magistério, no intuito de reverter o atraso de pessoal nesse sentido na região do Território Federal do Amapá, e formar um quadro permanente e qualificado, eminentemente regional.
O NEM permaneceu em atividade até 1992, quando suas estruturas foram reaproveitadas para formar a recém-criada UNIFAP”. (Wikipédia)
Nessa primeira foto de 1992, vemos parte da turma 314, do Curso de Letras, nas escadas do antigo “Fórum dos Leões” (atual sede da OAB/AP).
Estão nas imagens de cima para baixo a partir da esquerda os colegas: Leandro, Reginaldo, Marcelo, Marilene, Wanderlin e José Barreto.
Na segunda fila: Eugênia, Anne Margareth, Eudenice, Ana Alice e Ivanete(dona da foto).
Na fila debaixo: Edna Guedes, Cristina, Rosângela, Graça Pennafort, Verinilda e Terezinha.
Na segunda foto de 1989, vemos a turma praticamente completa, reunida em sala, para a eleição do Centro Acadêmico, cujo resultado aparece grafado no quadro negro.
Vemos nas imagens a partir da esquerda próximo à parede, uma pessoa não identificada, tendo à frente dela a Célia, seguida da Janete, professora de Linguística Eduiza Naiff (blusa escura), Benedito, Stélio, (eu) João Lázaro e Leandro.
Também Ivanete, Edna Guedes (dona da foto), José Barreto, Verinilda, Eunice, tendo atrás o Wanderlin e a Ana Alice.
Abaixados: Cristina, Graça Pennafort, Reginaldo, Marcelo, Jairson, atrás dele Lúcia (oculta), Roselene Pelaes e Rosângela.
Nota do Editor
Tive a honra de fazer parte da Turma 314, do Curso de Licenciatura Plena em Letras da UFPA.
Entre as boas lembranças que tenho do tempo de acadêmico, destaco as seguintes: primeiramente quando prestei vestibular em Macapá, e tive como colega de turma meu companheiro de rádio José Maria de Barros, que iniciou o curso conosco mas que faleceu, prematuramente, antes de concluí-lo.
Outra grande emoção que vivi foi ao reencontrar em sala de aula, durante o curso, o ilustre professor José Benevides, que lecionou a disciplina Língua Latina, a mesma que eu já havia estudado com ele, no curso ginasial na Escola Normal de Macapá.
Ambos faleceram nos deixando muitas saudades. (João Lázaro)