quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Foto Memória do Esporte Amapaense: Onzena do Esporte Clube Macapá

Trazemos hoje mais uma Foto Memória do Esporte Amapaense, desta feita do acervo de outro desportista de Macapá.
Extraímos da página do desportista Acelino Ferreira, no Facebook, esta relíquia histórica com imagem do Esporte Clube Macapá, no ano de 1987, que apresenta o time do azulino da avenida FAB, sob o comando do técnico Dutra.
A postagem original aconteceu em setembro de 2014.
Por ser uma cópia impressa, a qualidade encontra-se comprometida, razão pela qual pedimos nossas desculpas, por não termos conseguido deixá-la mais visível.
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A partir da esquerda temos em pé: Jonas, Macapá, Merica, Acelino, Vitor Jaime e Dida:
Agachados: Valdez, Vasconcelos, Juca, Gilberto (Ligeirinho) e Valdir.
Fonte: Facebook

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Fotos Memória do Esporte Amapaense: Esporte Clube Macapá , em Cametá-PA

Nossas Fotos Memórias de hoje, foram compartilhadas com o blog pelo amigo Flávio Gaia, direto de Cametá, município do Estado do Pará, via Facebook.
São raros registros do valoroso time do Esporte Clube Macapá, quando visitou Cametá, para jogar com o Comercial Esporte Clube, em 1949.
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Na primeira foto a partir da esquerda: Mair Bemergui, Bibito, Sabazão, Guilherme Caneta, (não idedntificado), Bianor, Aristeu, Ismael e Amujacy.
Agachados: Perigoso, (não identificado), Mafra, Pigmeu, Avertino Ramos e Falconeri.
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Na foto acima, time do Esporte Clube Macapá, desfilando em Cametá/PA.
Fonte: Flávio Gaia (Cametá)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ESPECIAL - Macapá chora a morte de Zeca Eletricista

O pioneiro Zeca Eletricista, cujo nome de batismo era José do Carmo Tavares, filho de José Rosa Tavares e Maria do Carmo Tavares, nasceu na casa dos pais, em março de 1928, sendo "aparado" por Luzia Francisca da Silva, a Mãe Luzia. Em 2018, completaria 90 anos. 
A partir da esq.: à frente: Jangito (sentado), em pé: Ana, Quitéria, Lourivalda (Lurica-falecida) e Tereza. 
Atrás estão:  Biló, Joanice, Zeca Tavares e Faustino (falecido).
Irmão de João do Carmo Tavares (Jangito), Faustino e Biló, destacados atletas do futebol amapaense. Era também irmão da Tereza e da Dona Quitéria, que trabalharam com os Irmãos Zagury. (vide foto acima)
“Seu” Zeca Tavares veio ao mundo no Largo dos Inocentes, o recanto mais populoso de Macapá. Os antigos moradores de Macapá diziam, que ali tinha tanta gente, que parecia um formigueiro. 
Foi aluno da Escola Primária de Macapá e começou a trabalhar cedo.  
Na Prefeitura de Macapá aprendeu o ofício de eletricista e prestou relevantes serviços à Comuna Macapaense. “Seu”José Tavares não era de jogar conversa fora. Foi torcedor do América Futebol Clube, do Rio de Janeiro, mas se desencantou com o clube. Chamá-lo de Zeca Americano era um desaforo. 
Ele e a Tia Lucy, sua esposa foram pessoas estimadas. Ela, festeira do marabaixo e tacacazeira famosa. Após a morte da Tia Lucy, “seu” Zeca Eletricista perdeu o ânimo pela vida. 
No último sábado, (antes da morte dele) foi visto sentado no banco branco existente no pátio de sua casa. O mesmo que aparece na primeira foto que ilustra esta postagem. Parecia cansado e tirando um cochilo.
José do Carmo Tavares, que era diabético, faleceu na quinta-feira 14 de setembro de 2017, por complicações da doença, e foi enterrado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no Centro da cidade.
Texto de Nilson Montoril, (adaptado ao Porta-Retrato) publicado originalmente, na íntegra, na página do grupo MMM - MEIO DO MUNDO MACAPÁ, no Facebook.
Com informações complementares do Jornalista João Silva.
Fonte: Facebook

sábado, 9 de setembro de 2017

Foto Memória de Macapá: Premiação a Pecuaristas no Parque de Exposição, em Fazendinha-AP

Mexendo em meus arquivos de memória, em busca de matéria para o blog Porta-Retrato, encontrei umas fotos que me foram enviadas pela amiga Sarah Zagury. 
Duas delas, que registram as atividades da Exposição de Animais e Produtos Econômicos que eram realizadas na Fazendinha, no início do Território do Amapá.
Todas duas da década de 50. 
Na primeira, o saudoso Casemiro Lino Dias, em uma solenidade na Fazendinha, recebe, em nome do Sr. Moisés Zagury, o troféu como prêmio pela produção de Leite, conquistado pela vaca Torina. A informação é do amigo Abraham Zagury.
Na segunda foto, pecuaristas premiados pela excelência de seus plantéis, recebem troféus, em frente ao palanque oficial da Exposição de Animais, na Fazendinha.
( Clique na imagem para ampliá-la e ver melhor )
Entre os perfilados somente conseguimos identificar a partir da esquerda o Sr. Joary Barriga; o 4º Dr. Armando Limeira Andrade (dentista); seguido do Coronel Arlindo Correia (de camisa escura); e na sétima (penúltima) posição o Sr. Casemiro Lino Dias.  Os demais senhores não foram reconhecidos.
No palanque oficial de óculos, a Sra. Meryan, tia dos irmãos Abraham e Sarah Zagury, que estão com ela, ambos, ainda crianças.  Um pouco mais à direita, uma senhora não identificada, tendo ao lado as professoras Maria Façanha e Maria das Dores Correia. Os demais, ocupantes do palanque, incluindo um sacerdote barbudo, não foram identificados.        

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Foto Memória de Macapá: Inspetor Waldelor da Silva Ribeiro

Hoje o blog presta justa homenagem “in memoriam” ao pioneiro Waldelor de Silva Ribeiro, que era inspetor da Guarda Territorial do então Território Federal do Amapá, e pai do jornalista Édi Prado.
A pedido do blog, nosso ilustre parceiro aqui do Porta-Retrato nos enviou a biografia que você vai ler agora:
Waldelor de Silva Ribeiro nasceu no dia 24 de junho de 1928, na localidade de São Miguel dos Macacos, Afuá, município do Pará. Filho de Joaquina da Silva Ribeiro e Abel José Ribeiro. Era uma espécie de faz tudo. Na época os meninos eram iniciados desde cedo a aprender várias funções e ofícios, entre elas a de desenhista e pintor de barcos.
Chegou ao Amapá no dia 23 de novembro de 1949. O Território estava começando a se erguer. O primeiro trabalho de Waldelor foi como pintor na Fortaleza de São José, enquanto preparavam a documentação para entrar na Guarda Territorial, no tempo de Janary Nunes, primeiro governador e desbravador. Morava lá mesmo na Fortaleza, enquanto aprontava um barraco no Beco da Mucura, ao lado do centenário monumento.
Ele prometera que no máximo em um ano, levaria a mulher, Maria de Nazaré Prado Ribeiro, a mãe, já viúva e mais dois irmãos para Macapá.  E nas horas vagas “abria letras” para pintar os nomes das embarcações.
Além de pintor e desenhista, Waldelor possuía várias habilidades como carpinteiro, eletricista, barbeiro e por ter uma caligrafia invejável, era chamado para redigir documentos oficiais, cartazes, avisos e outros serviços burocráticos.
Em pouco tempo ingressou nas fileiras da Guarda Territorial. E com o dinheiro ganho com os “biscates”, cumpriu a promessa de levar bem antes a família para Macapá em 05 de março de 1950.
Com o desenvolvimento e a chegada de veículos foi criada a Divisão de Trânsito (Ditran) e ele foi indicado para fazer parte deste seleto grupo, responsável pela emissão da Carteira de Motorista, fiscalização do trânsito na cidade e nos interiores dos então cinco municípios: Macapá, Mazagão, Amapá, Calçoene e Oiapoque.
Ser aprovado para tirar a carteira nessa época, precisava ter domínio de dirigir nas vias, estradas e ter amplo conhecimento de mecânica e das leis de trânsito”, relembram os motoristas pioneiros.
 “Os inspetores Waldelor,  Queiroga, Dário Silva, o Peixeiro e outros pioneiros, eram osso duro de roer e nessa época não havia corrupção e ai daquele que tentasse. Era preso e ficava mais de ano sem o direito de fazer o teste para tirar a habilitação”, contam os antigos motoristas.
Aposentou-se em 1984 e faleceu, vítima de erro médico em 28 de novembro de 1989. O nome de Waldelor da Silva Ribeiro está numa extensa lista de ex-Guardas Territoriais à espera para serem homenageados com nome de uma via na cidade ou outro monumento.  “Um homem íntegro. Nunca se envolveu em escândalo. Viveu para a família e criou nove dos 10 filhos, porque um deles morreu prematuramente, com menos de um ano de idade. Chegou a concluir o então 2º grau e formou quatro filhos com curso superior. O Edevaldo de Jesus Prado Ribeiro, bacharel em direito e delegado de polícia; Elisabeth Maria Prado, professora; Édi Prado, jornalista e Elinete das Dores Prado Ribeiro, secretária executiva”, relembra a esposa, Maria de Nazaré Prado Ribeiro.
A primeira casa ficava na baixada da Mucura” (apelido de uma mulher, que mandava no pedaço, bem ao lado da Fortaleza, que depois ficou conhecida como Elesbão. Era onde se abrigavam os primeiros moradores vindos das Ilhas do Pará) “Lá funcionava um matadouro de porco, mas eram também abatidos gado, caça e funcionava como atracadouro de pescado”, relembra.
“Depois o prefeito mandou ajeitar a área e nós tivemos que mudar para o Laguinho, que estava começando com a chegada dos negros, que moravam na Favela e nas Praças Barão do Rio Branco e Veiga Cabral. Por isso chamado de bairro moreno da cidade”, narra D. Nazaré.
O Delô (como era chamado carinhosamente pela esposa), construiu ele mesmo a própria casa e mudamos para a Rua Gal Rondon, 618, em 1955, onde moro até hoje. Eu já tinha o Edilson José, Edvaldo de Jesus, Elisabete Maria e o Edevonildo  Nazaré Prado Ribeiro, (o Édi  Prado), ainda no colo. Depois vieram o Ednelson (falecido), Edival, Elinete, Waldelor Filho, o Luizinho (também falecido), Edna e Edinaldo Prado Ribeiro. O salário não era tanto, mas dava para manter a família. A vida dos meninos se resumia à escola, igreja, brincadeiras. Mas era tudo controlado. Não havia drogas, miseráveis, bandidagem e a Guarda Territorial era respeitada. Havia hora para sair e chegar em casa. Os filhos obedeciam aos pais. ”
 Como era e como está - com 90 anos - católica fervorosa, D. Nazaré acompanhou a construção da primeira capela de São Benedito e lembra da paz que reinava na cidade. “Meus meninos, com outros da vizinhança, jogavam bola na frente de casa. Carro quase não havia. O movimento começou com a construção da hidrelétrica do Paredão. Eram tratores, máquinas pesadas e caminhões que passavam diariamente levando equipamentos”, relata.
A cidade cresceu de forma desordenada. Não levaram a sério o planejamento. Cada prefeito, embora nomeado pelo governador, fazia o que dava na telha. E hoje vivemos o drama em decorrência disso,” vem recordando D. Nazaré Prado Ribeiro. Lembra ainda quea educação e a saúde eram prioridades do governo. Todo menino tinha que estar em sala de aula e o governo dava uniforme, bota, material didático e os professores eram exigentes,”.
“Lembro bem que quando construíram o hospital por volta de 1947, o pessoal comentava: para que um hospital tão grande para tão pouca gente? E é esse mesmo hospital que temos até hoje para atender não só a capital, mas todo o Estado. ”
Waldelor era um dos inspetores responsáveis para habilitar os motoristas e conceder Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Um produtor de hortaliças, gado, porco, galinhas e patos, além de fornecedor de frutas para atender ao Mercado Central, passava diariamente em frente a casa dele como trajeto de ida e volta. Um dia o dito cidadão, se envolveu num acidente e foi constatado que não tinha a CNH. Ficou impedido de dirigir enquanto não tirasse a carteira. E faltando uma semana para realizar os testes, ele parou em frente à casa do inspetor e deixou uma carrada contendo frutas, legumes, galinha, pato, porco. Um abastecimento para mais de mês. Foi colocando tudo no pátio da casa e buzinou para anunciar o grande presente. Como Waldelor não atendia ao chamado pela buzina, decidiu bater palmas. E com um sorriso maior que o caminhão, disse que era um presente. Desconfiado, Waldelor lembrou que aquele homem passava todos os dias pela frente da casa dele e nunca havia se dado ao trabalho de um "bom dia" e agora trazia presentes, às vésperas do teste para motorista?
E deu o prazo de cinco minutos para o mesmo colocar tudo de volta no caminhão sob pena de receber ordem de prisão. O vendedor tentou argumentar e Waldelor disse que agora só tinha quatro minutos. Numa ação relâmpago, o citado senhor limpou o pátio.
De quebra foi advertido que ficaria suspenso para realizar os testes durante um ano.
Era assim que funcionava o serviço público. E Waldelor da Silva Ribeiro dizia que um homem sem moral e sem caráter não honrava as calças que vestia.
Texto do jornalista Édi Prado – filho do biografado – com depoimentos de antigos motoristas da cidade e da viúva de Waldelor, professora Maria de Nazaré Prado Ribeiro, que, com idade avançada, ainda mora em Macapá. Como já foi escrito há algum tempo, o mesmo foi atualizado e adaptado ao blog, com a devida anuência do autor.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Foto Memória de Macapá: Posse do Presidente da APEATA

Foto Memória de Macapá, extraída da página do amigo Rodolfo Juarez, no Facebook. 
Trata-se do registro da posse, em 1979, do presidente da Associação dos Profissionais de Engenharia e Arquitetura do Território do Amapá - APEATA, hoje Clube de Engenharia.
Na foto a partir da esquerda: João Gouveia de Paula, Claudionor Soares Barbosa, Raimundo Gomes Garcia (discursando), Rodolfo dos Santos Juarez, Manoel Ubiratan Homobono Balieiro e Joaquim de Vilhena Neto.
Fonte: Facebook

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Foto Memória da Beleza Amapaense: Primeira Miss Macapá



Em 1947, a jovem Rita de Matos Costa foi eleita a primeira Miss Macapá. 
A promoção era da Legião Brasileira de Assistência e se destinava a angariar recursos para o Natal das crianças pobres.
A foto acima foi tirada na frente de Macapá.  Ao fundo o velho trapiche Eliezer Levy.
O voto saía impresso no Jornal Amapá. Quem comprava o jornal preenchia o formulário e depositava em urna instalada em lugar público. 
O Miss Macapá foi uma forma da Legião Brasileira de Assistência angariar recursos para o Natal das criança Pobres. Se estendeu até 1956. 
Somente a partir de 1958, quando era governador Pauxy Nunes, a Miss Amapá passou a participar do Miss Brasil. 
A eleita de 1958 foi Ilma Dias, enteada do Sr. Carlos Canalejas.
Informação do historiador Nilson Montoril de Araújo.
Rita de Matos Costa - Miss Macapá 1947 - casou com Newton Nunes. 
Ela faleceu em Campinas em 2012.
(Post de agosto de 2013, repaginado em agosto de 2017)
(Ultima atualização: 11h45m do dia 31/08/2017)

Foto Memória da Beleza Amapaense: Ilma da Silva Dias – Primeira Miss Amapá

O primeiro certame de beleza feminina no Amapá foi realizado em 1958.
A primeira representante do então Território Federal do Amapá,..
... foi a candidata ILMA DA SILVA DIAS, enteada do Sr. Carlos Morei Canalejas, irmã do Zamba, ex-atleta de basquete e do prof. de educação física e também atleta, Ernesto Dias Neto. 
No concurso de 1958, Ilma Dias venceu concorrendo com quatro candidatas. O desfile aconteceu no Salão de Recreios da Piscina Territorial coordenado pela Federação de Esportes Aquáticos. Ela representou a Escola Técnica de Comércio do Amapá-ETCA. Promoção do Governo Territorial em homenagem a Janary Nunes, que aniversariava(1º de junho). Sua viagem para o Rio de Janeiro ocorreu dia 15 de junho de 1958 em avião do Loide Aéreo Nacional.
A informação foi repassada ao blog pelo historiador Nilson Montoril.
(Foto: Reprodução / Arquivo pessoal)






A Sra. Ilma da Silva Dias, aposentada, com idade avançada (75 anos) mas, bastante lúcida, reside em Recife, capital do Estado de Pernambuco.







Nota do Editor: Publicamos este registro para corrigir uma informação equivocada, que lançamos, ontem aqui no blog e justificamos o ocorrido, com nossos pedidos de desculpas.
Citando como fonte a edição de número 16 da Revista Diário, publicada em junho de 2016, reproduzimos matéria assinada pelo jornalista Douglas Lima, Editor-Chefe da Revista, sob o título: Madalena, a primeira Miss Amapá.
Após a publicação, o historiador Nilson Montoril nos observou que o conteúdo da matéria publicada não tinha nenhum registro histórico sobre o Miss Amapá.  Disse tratar-se de um fato isolado, amplamente divulgado apenas pelo saudoso Sacaca. Nilson confirmava que, historicamente, a primeira Miss Amapá foi uma irmã do Zamba, em 1958, ano em que o Amapá participou do Miss Brasil pela primeira vez.
Em respeito à família Souza, onde (particularmente) temos muitos amigos em comum, pedimos nossas desculpas e mantemos a publicação para fins de registro da participação da matriarca, na vida social do Bairro do Laguinho.
Dona Madalena, viúva do mestre Sacaca, hoje aos 85 anos de idade, continua sendo uma mulher lúcida, ativa, altiva e social, participando de atividades religiosas e culturais, sendo uma das referências do bairro do Laguinho, um dos primeiros berços da cidade de Macapá.
Madalena da Silva Souza, a Dona Madalena, nasceu no dia 16 de abril de 1932 no Retiro, localidade situada no km 12 da BR 156, próximo à Ilha Redonda. A boa amapaense conquistou o título de Miss aos 18 anos, concorrendo com oito candidatas. O concurso foi na residência do senhor Julião Tomás Ramos, hoje Barracão da Tia Biló. 
No ano seguinte, Madalena casava com Raimundo dos Santos Souza, o Sacaca, outra referência laguinhense e conhecido no mundo todo pelas suas aptidões com plantas medicinais.
O casal teve dez filhos. Logo após o casamento, Madalena perdeu a mãe e passou a ter na sogra, Joaquina Emiliana, a segunda genitora, quem inclusive aparou ou fez o parto de oito filhos da nora, cuidando de tudo durante a quarentena. Sacaca e Madalena ainda adotaram cinco crianças, hoje todas adultas e bem encaminhadas na vida.
Filha de Maria Ramos e Marinho Gregório do Amaral, ainda criança Madalena foi com a família para Santo Antônio da Pedreira. Depois, todos se mudaram para a então vila de São José de Macapá, onde logo começou a ser alfabetizada pela professora Izabel Araújo. Para pagar os estudos Madalena ajudava a mãe, lavando e passando roupas. Na época não existiam escolas públicas. Somente mais tarde é que ingressou num educandário do governo territorial, a Escola Barão do Rio Branco. Só concluiu o curso secundário depois de casada, através do Curso João da Silva na TV. Madalena aprendeu com a mãe o ofício de costureira; fez cursos de bordadeira e de cerâmica na hoje extinta LBA. Com a transferência dos moradores do centro velho de Macapá, dona Madalena mudou‐se para o então recém-criado bairro do Laguinho, onde foi morar na casa de seu irmão Francisco, hoje bar do Tio Duca. Ela sempre foi envolvida com as questões culturais e religiosas da comunidade.
Madalena é sócio fundadora da Assap, a Associação dos Idosos do Amapá, a primeira entidade de idosos do estado; participa do Apostolado da Oração da Igreja São Benedito, desde sua fundação. Em sua residência, sempre recebeu de braços abertos os movimentos culturais, como na década dos anos 1970 e 1980, quando abrigava a quadrilha junina do famoso marcador Psiu. A residência de dona Madalena também já foi sede da Escola de Samba Piratas Estilizados. Ela é sócia fundadora do Grupo Cultural Infantil Marabaixo do Arthur Sacaca e Marabaixo da Juventude. Acompanhava o Rei Momo Sacaca em suas agendas, sendo a costureira de todas as fantasias do marido carnavalesco. Madalena da Silva Souza conhece todos os estados do Brasil e alguns países da América do Sul. Hoje viúva, vive em sua residência no tradicional bairro do Laguinho. Administra a casa da família com muita energia, dividindo essa responsabilidade com as suas participações em movimentos religiosos, sociais e culturais.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Foto Memória de Macapá: Marinheiro, só - Um Personagem Folclórico da Cidade

Em janeiro de 2010, o jornalista amapaense Édi Prado, preparou uma matéria, publicada no Jornal “A Gazeta”, de Macapá, a partir de uma entrevista feita com “Marinheiro, só”, uma figura conhecida na cidade por só andar de branco, vestido de marinheiro. É tido como místico, uma espécie de "pai de santo", espiritualista, folclórico.
Com as devidas atualizações, reproduzimos a conversa com o legendário senhor:
Texto de Édi Prado
Falamos do Sr. Joaquim Picanço do Espírito Santo (Seu Joaquinzinho), uma figura exótica, de 91 anos, 1,70 m de altura, nascido em Macapá, no dia 15 de novembro de 1925, mais conhecido como “Marinheiro”. Os pais biológicos dele são os macapaenses, Joaquim Lino do Espírito Santo e Maria Isabel Picanço. Ele vive fardado 24 h. Menos na hora de dormir. Prefere o pijama branco, “por ser mais fresquinho”! 
Ele circula a pé pela cidade inteira vestido de marinheiro sempre a rigor portando o gorro ou casquete como ele chama. Na rua só cumprimenta os que o cumprimentam. Caminha solitário com aquelas botas negras canos longos em busca de ervas e meizinhas (remédio caseiro) para tratar as pessoas que o procuram na Seara Espírita São Miguel – Santo de Deus e Virgem Maria - que ele atende na Av. Salgado Filho, 600, no bairro Santa Rita. Ele diz pertencer à 'Linha das Ciências Ocultas de Israel'.
Na tenda humilde, existem os “pontos” no chão, símbolos semelhantes aos usados em Umbanda e Candomblé. “Cada ponto atende uma Entidade ou uma Legião usada para os mais diversos trabalhos”. Faz mistério. “Só não faço o mal. Sou um cirurgião espiritual. Curo o corpo e trato da vida espiritual das pessoas. Sirvo a Deus e ao Rei Sebastião de Israel, Rei do Mar”, diz convicto.
Seu Joaquinzinho, diz: “Já vim com a Missão Espiritual. Descobri desde gitinho”(pequeno), revela com os olhos acesos esbranquiçados, realçados pela pele negra e cabelos brancos. Na rua onde mora, recorda, era o roçado (roça) do Gardeano. Era uma floresta. Lá ele caçava, tinha roçado e aprendeu a lidar com a mata. Em 1945, durante a 2ª Guerra Mundial, foi servir à Marinha do Brasil em Oiapoque, na “guerra contra os japoneses”, como dizem os veteranos de guerra com mais de 80 anos. Na visão dele, o inimigo era o japonês. Era cabo armeiro e instrutor de armas. Tanto no manuseio quanto no conserto e reparos de armas. “Lidava com 50 homens” recorda. Atuou durante oito anos no Vapor Oiapoque. Viajou o Brasil inteiro nele. Era ágil. Com 1,70m, pesando 88 kg ele diz que saltava 1,78 m de altura. Quando acabou a guerra deu baixa na Marinha ingressou na extinta Guarda Territorial. Passou 24 anos e largou tudo para cuidar da “Missão”.
Em Oiapoque conheceu os Samaracás, negros franceses que conhecem profundamente o mundo espiritual. Sabem dos mundos encantados debaixo da terra. Foi com eles que teve o iniciado nesse Mundo Encantado. Em Clevelândia do Norte, no Oiapoque ele teve que submeter-se a uma provação: ficar um mês e 15 dias num mundo encantado embaixo da Terra. “Lá tem tudo que tem aqui em cima: Igreja com imagem do Coração de Jesus, Exército de Cavalaria do Povo de Deus, cachoeiras, rios, lagos e tudo que tem na natureza. Foi lá que aprendi os segredos do dom que Deus me deu. A fazer a operação dos milagres e saber ser orientado para a realização das cirurgias espirituais e a base das Ciências Ocultas”, narra com olhar de desafio e de vitória.
O meu tio 'Juvenço' (Juvêncio) foi e não voltou. Foi nesse tempo em que o município de Santana secou e aparecia um tufo de água”, relembra. No km 13 da BR 156 existe uma cidade encantada. Lá ele também foi “estagiar”. Nesse lugar existem homens e mulheres engalanados(enfeitados), com estrelas nas fardas e onde se concentra um dos maiores Exércitos do mundo de Israel. Têm também na Aldeia do Sá, Kamuru e Aldeia do Louro. É a cidade dos homens encantados. “Mas isso você não vai entender” e ri maroto desconversando dando tapinhas nas costas.
Ele diz ter o poder da cura através dos guias curandeiros desses mundos.  “Mas não posso cobrar nada. Não posso pedir dinheiro. Se fizer isso perco os encantos e a punição é tão grande, que é preferível a morte”, adverte-se. Perguntado como ele vive, ao lado da mulher, Marciana Ferreira, 84 anos, que estão juntos há 40 anos e não têm filhos biológicos, só os médiuns que ele orienta. Pai Joaquim diz que as pessoas que o procuram fazem oferta por livre e espontânea vontade e o ajudam com os alimentos e outras necessidades. “Mas quem não puder ou não quiser, não é obrigado. O serviço de cura precisa ser feito”, assegura. Ele prepara as garrafadas com ervas especiais para cada doença. Tem doença que o médico leva até seis meses para curar e às vezes nem cura tem para eles e aqui essa mesma doença é tratada com cura em até três meses ou menos. “Além das meizinhas tem as rezas. As que uso geralmente chegam a 330 rezas e benzeções. Mas conheço muito mais. Cuido do corpo e do espírito”, afirma. O ‘Pai Joaquim' garante que nunca foi autorizado a entrar, mas existe outro grande Exército do Povo de Israel na Lagoa dos Índios. Uma cavalaria muito grande. “Eu sei onde fica o caminho, mas não posso mostrar. E mesmo que mostrasse, ninguém vai conseguir ver”, disfarça.
Ele trabalha em sessão de cura aos sábados de 13 as 15 horas. “Aqui fica cheio de gente” orgulha-se. Revela que recebe a orientação do Dr. Diogo e do Mestre Tucupi Maiaú, Rei dos Índios, que vem com roupa de guerra. E é lá, no meio da Seara, onde existem os 'pontos' é que ele “corta o serviço”. É onde toda a ação do mau é quebrada e presa à serpente. “O mau é anulado com a força de Deus, Virgem Maria Santíssima, São Jorge Cavaleiro e o Divino Espírito Santo. O coisa feia não enfrenta, não” garante. Mas existem outros Santos que são evocados:  São Miguel Arcanjo, São Sebastião e outros, dependendo da ocasião. Ele diz que não gosta e nem aceita quem fica enganando as pessoas. “Temos que fazer o bem. Só o bem”, enfatiza. Como não tem outro emprego, não recebe pensão, aposentadoria, nem outra fonte de renda, o que ele faz é pedir que as pessoas comprem o material que será usado nas sessões de cura, as ervas e outros ingredientes, para eles mesmos.
Por ser obrigado sempre a se fardar de marinheiro, a indumentária apresenta-se rôta, remendada e não tão elegante como deve ser um marinheiro que se preza. Ele diz que aceita a 'fazenda', o pano branco de brim ou outro tecido mais duradouro. Mas ele manda fazer a farda.  Não aceita a farda pronta. “Tem uns segredinhos na confecção”.  Na casa dele, ao lado da Seara tudo é muito humilde e carente. Só três 'bicos” de lâmpadas, mesa e bancos de madeira. 
O mais interessante é um poço, de onde retira a água para consumo, no meio da cozinha. Um balde, uma corda e uma roldana são os instrumentos rústicos que abastecem a casa e a Tenda.
As poucas fardas que tem estão bem usadas e como não tem máquina para lavar a roupa, ainda precisa dos braços de D.  Marciana Ferreira. 
Ela lava, mas no período de chuva, não tem tempo de secar e tenho que usar a farda” justifica.  No dia da entrevista a equipe de corte da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) foi fazer o serviço. Ele implorou para que não cortassem a luz. Tinha muito cliente para atender e não podia fazer isso no escuro. Inútil o clamor. A equipe de reportagem pagou a conta e pediu a religação. A conta de energia cobrada pela CEA é incompatível e absurda com o consumo de alguns bicos de luz, uma bomba para tirar a água do poço e uma geladeira: R$ 133,80. “Deve de ter alguma coisa errada aqui. Tem gente que tem muito mais coisa do que eu e não paga nem a metade disso”, desabafa.
Pai Joaquim diz que deve ter um governo que cuide do povo. Que seja orientado sobre essas injustiças. “Eles gastam milhões com futebol, carnaval e outras festas e deixam cortar a energia de uma casa que vive só para fazer o bem e não cobra nada por isso. Quando eu curo aqui o hospital deixa de receber doentes. O governo precisa de gente que oriente sobre essas injustiças”. Apela aos deputados e vereadores “que reconheçam e saibam dessas pessoas, como puxadeiras, benzedeiras e casas como a minha, que atende de graça, que sofrem com a falta de água e luz porque não podem pagar”.
Diz também que tem certeza de que o governador nunca foi informado sobre essa situação. “Se ele souber ele vai dar um jeito. Mas não posso sair daqui para pedir para ele. Mas vocês podem escrever isso aí? ”  Desafiou. E o tal homem de branco, o eterno marinheiro se revelou um grandioso ser humano. Amável e gentil nas respostas e nada atemorizador, como imaginam, quem o vê rondando a cidade em busca das ervas para curar os enfermos.
Texto do jornalista amapaense, Édi Prado, publicado, no Jornal “A Gazeta”, de Macapá, em 15 de janeiro de 2010, a partir de uma entrevista feita com “Marinheiro, só”.
Título original da matéria: Marinheiro, só – ele vive num mundo encantado!
Uma foto reproduzida do Blog Seles Nafes.com  

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Foto Memória de Macapá: Professora Pioneira Zulma Carneiro


A professora pioneira do Amapá, Maria Zulma Carneiro de Souza, é natural de Óbidos/PA. Com 12 anos de idade, foi direto para a Base Aérea do Amapá/AP. Profª Zulma foi criada pela Família Tostes, com quem viveu no Município do Amapá e depois em Macapá, onde foi estudar, em 1947. 
Por sua dedicação aos esportes, notadamente ao voleibol, ganhou do Governo do então Território Federal do Amapá, uma bolsa de estudos na Escola Nacional de Educação Física e Desportos do Rio de Janeiro.
Ao voltar para o Amapá, Zulma fez carreira como professora de educação física ao lado de outras pioneiras, na mesma área.
Em 1968, contraiu matrimônio com o professor José Figueiredo de Souza, o Savino, com quem teve os filhos Héldio, hoje engenheiro civil; Helder, advogado e Sacha, que veio à luz com a síndrome de dawn.
O nascimento da filha, portadora de deficiência, foi um choque para Zulma. Amigos a confortaram e a levaram a um congresso das APAEs, em São Paulo. De retorno para Macapá, logo articulou a fundação de uma escola destinada ao ensino especial, daí surgiu a Escola Lobinho Antônio Sérgio de Almeida.
Professora Zulma recebeu várias condecorações, entre elas os títulos de cidadã amapaense e macapaense; Medalha da OAB, pelo Dia Internacional da Mulher; Medalha do MEC; Mérito da Educação, da Câmara Municipal de Macapá; E a Águia, a maior comenda oferecida pelas APAEs do Brasil.
Professora Zulma Carneiro, hoje aposentada, aos 82 anos de idade, lúcida, mas com dificuldades de locomoção, vive com a família, em Macapá, na Av. Iracema Carvão Nunes.
A filha Sacha é sua maior paixão!
Texto original: Douglas Lima, adaptado ao Porta-Retrato
Fonte: Revista Diário nº 1(NOV/2014)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Foto Memória do Esporte Amapaense: Lançamento da bola “tipo alemão”

A Foto Memória de hoje, é um registro de uma promoção da revista “Icomi-Notícias”, realizada no Estádio Municipal “Glycério Marques”, em Macapá: o lançamento da bola “tipo alemão” que muitos apenas conheciam pelo cinema e pelos jornais.
O evento aconteceu durante uma partida entre os times do CEA Clube e do Amapá Clube, pelo campeonato da cidade, de 1965.
( Clique na imagem para amplia-la e ver detalhes )
O CEA Clube, após 90 minutos de árdua disputa, conseguiu a vitória por 1 x 0, e além dos dois pontinhos ganhos, teve direito de ficar com a cobiçada bola da partida.
Juarez Maués, representante da Revista, entrega ao juiz do jogo, Raimundo Pessoa Borges – Marituba, a bola alvi-negra.
( Fonte: Revista "ICOMI-Notícias" )

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Foto Memória de Macapá: Garotos batem bola em um campo do Laguinho

A Foto Memória da Macapá de outrora, nos relembra uma imagem do Bairro do Laguinho, mais precisamente da Avenida Manoel da Nóbrega, perímetro compreendido entre as ruas Eliezer Levy e Odilardo Silva, na década de 60, do século passado, com destaque para o campo de futebol, na área onde se encontra erguida a sede do Centro Educacional do Laguinho, e o prédio do SEBRAE-AP.
Clique na imagem para amplia-la e ver melhor os detalhes
Garotos da comunidade jogam bola, em um cenário que tem ao fundo várias casas residenciais, entre elas um sobrado onde moraram o Sargento Ermídio Moisés Mendes e sua família, com os filhos Mariano e Miguelão. 
No prédio branco na esquina da Odilardo Silva funcionava o Escritório de Contabilidade "Nascimento", do contador Cláudio Carvalho do Nascimento, irmão do Chefe Clodoaldo Carvalho do Nascimento, e ex-Prefeito de Mac Veiga Cabralapá, no período de janeiro a março de 1955.
Nota do EditorLembro bem que ao lado da Sede dos Escoteiros Veiga Cabral, próximo ao campinho, foi escavada e construída a piscina dos escoteiros, que funcionou por algum tempo e depois foi desativada.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Foto Memória de Macapá: Primeiro Escritório de Advocacia de Macapá

Informação postada pelo historiador Nilson Montoril, em sua página no Facebook:
O primeiro escritório de advocacia de Macapá, pertencia aos advogados Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque e Joaquim Gomes Diniz, ambos registrados na OAB/Pará. 
( Imagem: Recorte de jornal )
Ficava na Avenida Independência (atual Binga Uchoa), número 20. A instalação ocorreu no início de ano de 1945. 
Paulo Eleutério Filho era amazonense e seu pai tinha o mesmo nome. Além de Tenente do Exército era jornalista do Jornal O Liberal. A ele devemos a criação do Jornal Amapá e da Rádio Difusora. 
Joaquim Gomes Diniz era Promotor Público e se consagrou como autor da letra da Canção do Amapá, cuja música é de autoria do Mestre Oscar Santos.
Fonte: Facebook

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Foto Memória da Igreja Católica, no Amapá: Irmã Maria Celeste – A Primeira Freira do Amapá

Texto de Nilson Montoril (*)
“Quando exerceu o cargo de vigário da paróquia de Macapá, entre 1913 a 1922, Padre Júlio Maria Lombaerd decidiu criar uma escola onde as meninas receberiam instrução educacional e religiosa. Surgiu, porém um sério problema, haja vista que nenhum instituto que ele consultou dispunha de irmãs que pudessem ser deslocadas para Macapá a fim de dirigir o estabelecimento de ensino. Padre Júlio não pretendia criar um novo convento, mas convenceu-se que somente o fazendo conseguiria fundar a escola para meninas de Macapá. Recorreu ao Bispo Diocesano de Belém e dele obteve a permissão para fazer uma experiência. Como ele sempre ia fazer pregações em conventos de Belém, expôs às freiras e moças que com elas conviviam seu propósito de criar uma congregação com o nome de “Filhas do Coração Imaculado de Maria”. Várias moças externaram o desejo de serem religiosas, mas todas eram pobres e não tinham dinheiro para preparar o enxoval. Mesmo assim, Padre Júlio aceitou o desafio de leva-las para Macapá. Contando com a ajuda de pessoas caridosas ele obteve o mínimo necessário para instalar a escola e o noviciado." 
"Em uma casa (foto acima) de apenas dois cômodos foram instaladas as três primeiras religiosas. Após um breve período de preparação elas receberam o hábito de noviças a 8 de dezembro de 1916. Em um cômodo da casa funcionava a escola e o outro abrigava refeitório, dormitório, capela e sala de trabalho. No início do ano de 1917, a escola passou a funcionar com uma clientela de 60 meninas. Além das aulas, as meninas aprendiam a costurar, a lavar, a passar, e a cozinhar. Dentre as alunas havia mais de 20 órfãs com idade entre 13 a 15 anos. Essas moças viviam na condição de agregadas de parentes ou vinculadas às famílias caridosas, sem receber educação escolar. Nessa faixa de idade eram presas fáceis dos homens sem escrúpulos da cidade de Macapá. As Filhas do Coração Imaculado de Maria ganharam o respeito e admiração das pessoas de bem. Eram vistas como exemplo de dedicação à causa do catolicismo e do amor ao próximo.
Uma das noviças, chamada Raimunda Siqueira Coutinho, filha do casal João Coutinho e Ana Siqueira Coutinho, nasceu em Macapá no dia 28 de abril de 1905. Ingressou na “Casa Matriz Noviciado da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria” em 1920, quando tinha 15 anos de idade. Como noviça, a jovem adotou o nome de Irmã Celeste, a quem o Padre Júlio Maria Lombaerd chamava de “Anjo da Eucaristia”, porque ela comungava diariamente.
 No dia 3 de abril de 1922, doente e precisando de cuidados médicos só disponíveis em Belém, Irmã Celeste foi embarcada no navio “São Pedro”, contando com o acompanhamento do Padre Júlio. No dia 7 de abril ela faleceu a bordo da embarcação, sendo sepultada no cemitério de uma pequena comunidade existente em uma ilhota do arquipélago do Marajó, no Rio Pará (canal sul do Rio Amazonas) próximo a Belém. Padre Júlio prosseguiu viagem, pois precisava de tratamento contra uma terrível ferida que tinha na perna direita e que apresentava sinais de gangrena. Ao consultar o médico Remígio Fernandes, o vigário de Macapá foi informado de que, se a lesão não recrudescesse fatalmente sua perna seria amputada.
Padre Júlio retornou a Macapá e passou a rogar pela interveniência de Irmã Celeste junto a Maria Santíssima. Milagrosamente a ferida cicatrizou. Em 1927, os restos mortais de Irmã Celeste foram exumados e levados para Macapá. Diariamente a ossada era colocada sobre um encerado, sob o sol escaldante, para ressecar os restos de tecidos e cartilagens ainda existentes. Meninas da escola fundada por Padre Júlio se revezavam no decorrer do dia movimentando varetas com panos atados nas extremidades para espantar as moscas varejeiras e impedir que elas botassem ovos nos despojos. Depois de raspados e fervidos em cal, os ossos foram acondicionados em uma urna de madeira e remetidos para a cidade de Caucaia, no Estado do Ceará, onde residiam religiosas da congregação fundada pelo Padre Júlio Lombaerd. Ainda hoje, os restos mortais da Santinha de Macapá repousam na Sala Histórica da Congregação a qual pertenceu. À Irmã Celeste são atribuídos muitos milagres, mas nunca foi iniciado o processo de beatificação ou santidade. Antes de ir residir em Manhumirim, Minas Gerais, Padre Júlio Maria Lombaerd, que alterou esse sobrenome para “de Lombarde” depois de sua naturalização como brasileiro, passou por Pinheiro (Icoaraci/Pará) e Rio de Janeiro. Familiares da Irmã Celeste ainda vivem em Macapá.”
(*) Nilson Montoril – Pesquisador amapaense, historiador, professor, radialista, Administrador de Empresas e Presidente da Academia Amapaense de Letras.
Texto publicado originalmente no blog “Arambaé”, em 17 de abril de 2013, sob o título “A Santinha de Macapá”.
As atualizações e adaptações para o "Porta-Retrato", foram realizadas pelo editor do blog, com a devida anuência do autor do texto.
Fonte: Folhetim "Vidas Sagradas"  (Diocese de Macapá-2015)

domingo, 20 de agosto de 2017

Foto Memória da Aviação do Amapá: Avião da FAB no Primeiro Campo de Pouso da cidade

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Nesta foto da década de 40 do século passado, vemos imagens de populares e estudantes, em volta de uma aeronave Douglas DC-3 da Força Aérea Brasileira, no primeiro campo de pouso de Macapá.
O Douglas DC-3 é um antigo avião bimotor para uso civil, que revolucionou o transporte de passageiros nas décadas de 1930 e 1940.
Imagem extraída do “Macapá Querida”, álbum com fotos históricas de Macapá, publicado em 2010 pelo Governo do Estado do Amapá e editado pelo Museu Histórico “Joaquim Caetano da Silva”.
O referido álbum que enfoca a evolução urbana da cidade de Macapá, é composto por fotografias do acervo do Museu Histórico do Amapá “Joaquim Caetano da Silva” e de particulares, a partir de 1907 a 1970, com a finalidade de salvaguardar parte da história documentada do município, haja vista a escassez de informações e imensa lacuna no processo de formação da sociedade amapaense.
Resumo Histórica - O primeiro “Campo de Pouso” de Macapá, foi construído no final da década de 30, no local onde hoje encontra-se a Av. FAB, mais precisamente entre as ruas Major Eliezer Levy e Odilardo Silva.
A pista de pouso estendia-se, aproximadamente, de onde está a Rua Leopoldo Machado, passava onde é o prédio da Prefeitura, prolongando-se até a antiga sede do IRDA, hoje uma escola particular, ao lado da Caixa Econômica, na Av. Iracema Carvão Nunes.
No ano de 1956, por motivo de segurança, foi construído um novo aeroporto, cerca de 3 Km distante do centro da cidade, onde encontra-se o atual Aeroporto Internacional de Macapá-Alberto Alcolumbre construído pela COMARA – Comissão de Aeroportos da Região Amazônica.
Em 1958, ocorreu a transferência das atividades aeroportuárias do campo de pouso então existente na Avenida FAB para a atual base do Aeroporto Internacional de Macapá. (Infraero)
 (Fonte: Album "Macapá Querida"